Shito Ryu

O Sensei Mabuni dedicou-se a preservar exatamente a forma e a essência das técnicas tradicionais, ensinando-os exatamente como lhe foram ministrados, de modo a consolidar os três grandes estilos, Shuri-te, Naha-te e Tomari-te, em um único sistema detalhado, resultando na combinação das características dos estilos mais suaves e circulares Shuri-teTomari-te, de Anko Itosu, com o estilo duro-linear do Naha-te, de Kanryo Higaonna. Porém, Kenwa Mabuni não se contentou em mesclar as correntes, também sistematizou o treinamento de maneira racional e científica, construíndo uma verdadeira e original sínteses, posto que lastreada de forma fiel nos de diversos mestres.

O estilo é o sistema mais extenso de caratê que existe, que se distingue dos demais pelo grande número de katas, pela suavidade e versatilidade das técnicas de combate e pela inclusão de técnicas de solo (ne waza) e do uso de armas (kobudo).

Desde os Shuri-teTomari-te foram herdadas as técnicas lineares baseado no estilo externo proveniente do norte da China que tem como principais características à velocidade, a agilidade, a explosão, as técnicas em linha reta, os chutes altos e as posições naturais. Em verdade, à época da formação do estilo, o mestre Itosu ensinava um já previamente condensado dos dois estilos, que se convencinou chamar de Shorin-ryu.

Do Naha-te, de Kanryo Higaonna, herdamos o estilo suave-circular baseado no estilo “interno” proveniente do sul da China que tem como principais características à força concentrada, a busca pelo combate a curta distância, as técnicas circulares, chutes baixos, as posições estáveis e a respiração abdominal (Ibuki).

Sem distinção maior são praticados os katas de todos os estilos.

As posições de treinamento em kihons buscam ser naturais, nem muito baixas, nem muito altas, existindo pouca diferença entre o treinamento e a aplicação real. Pero as posturas mais baixas foram completamente preservadas, segundo o intuito do fundador, de modo exato.

As diversas posições são utilizadas em todas as direções, sempre coordenando simultaneamente técnica, corpo e quadril. A forma de fechar o punho é o mesmo utilizado pelas outras escolas decaratê, porém o hikite é feito na “metade do corpo”. E a força das técnicas concentra-se no baixo ventre (tanden), onde reside o centro de gravidade.

Trabalha-se nos bunkai e kumite sempre buscando o controle do adversário durante todo o processo técnico e com o desenvolvimento baseado na harmonia e na continuidade do movimento.

As defesas são geralmente trabalhadas em um ângulo de 45°, utilizando técnicas tanto com as mãos abertas como com os punhos fechados, sempre percorrendo a menor trajetória possível e o menor gasto de energia, agrupando-se-as em cinco conceitos fundamentais, chamadas pelo mestre de Uke No Go Gensoku, que são:

  • Rakka (bloqueio forte);
  • Kusshin (controle do centro de gravidade);
  • Ryu-sui (bloqueio suave);
  • Ten-i (esquiva);
  • Hangeki (contra-ataque utilizado como defesa).

Outro conceito muito importante praticado no estilo é o Tenshin Happo (deslocamento nas oito direções).

A despeito de o caratê ter sempre enfatizado as técnicas traumáticas (ate e atemi waza, são praticadas técnicas de controle do oponente (gyaku waza), projeções (nage waza), estrangulamentos (shime waza), torções (kansetsu waza) e submissões (katame waza), preservadas nos katas, principalmente.

Os ataques avançando são geralmente em linha reta e as técnicas sejam de perna, punho ou um simples deslocamento são executadas em grande velocidade. Os chutes são executados nos níveis:Gedan (nível baixo), Chudan (nível médio) de uma forma principal, embora nos treinamentos também sejam trabalhados a nível Jodan (nível alto) e inclusive com Tobi (salto), sem restrição alguma.

Também é uma característica complementar do estilo o estudo e prática do Kobudo (arte marcial antiga de Okinawa).